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Sabático da terceira idade: pessoas com mais de 60 que tiram um ano para curtir

 

Dois anos atrás, o australiano Chris Herrmann colocou todos seus pertences em um depósito, comprou uma passagem de volta ao mundo e partiu com uma mochila nas costas por 12 meses. Ele passou três deles aproveitando o ritmo festeiro da cidade espanhola de Valência, depois viajou pela América Central e do Sul e completou seu ano sabático no Sudeste Asiático.

Foi uma experiência fantástica – ainda que nunca a tenha planejado, diz ele. Sua mulher, com quem viveu por quatro décadas, havia morrido no ano anterior e tirar esse tempo para viajar parecia a escolha certa.

'Eu vi o quão fugaz a vida pode ser. A jornada dela tinha terminado, mas a minha ainda continuava', diz ele. 'Queria ser desafiado, só para ver o que aconteceria.'

Em Valência, na Espanha, Herrmann, agora com 64 anos, alugou um apartamento e fez novos amigos em atividades por meio de grupos de encontros online. Mas quando se lançou nesse mochilão de um ano, se hospedou em albergues, geralmente com um público muito mais jovem.

Essa troca de experiências foi um pouco assustadora, confessa ele. Mas o ex-empresário diz ter se inspirado pela nova geração, principalmente por sua confiança em desbravar o mundo e sua curiosidade cultural.

E foram as conversas, mais do que lugares, que deixaram sua marca. Na Guatemala, Herrmann ouviu moradores compartilhando opiniões sobre a guerra civil. Em um barco da Colômbia para o Panamá, passageiros mais jovens debateram com ele a legalização das drogas.

Ele diz ter achado toda a experiência 'energizante'. 'Acho que, a partir do momento em que você tem uma experiência fora de sua zona de conforto, o próximo passo se torna menos desafiador', diz ele.

A INDÚSTRIA DA TERCEIRA IDADE

Tradicionalmente, são os estudantes universitários que costumam tirar um período sabático, muitas vezes combinando viagens, voluntariado e trabalho temporário.

Esses anos sabáticos acontecem de forma um pouco diferente em alguns países. No Reino Unido, por exemplo, muitos jovens fazem essa pausa antes de ir para a universidade, enquanto na Austrália e na Nova Zelândia, algumas pessoas esperam terminar o curso superior para viajar.

Nos EUA, os sabáticos são menos comuns e mais estruturados –os alunos tendem a procurar estágios formais e programas de voluntariado. Mas o objetivo é basicamente o mesmo - explorar experiências de vida novas e valiosas para ajudar na transição do que vem a seguir.

Mas, a medida que os baby boomers, a geração nascida após a Segunda Guerra Mundial, começaram a ressignificar o sentido de aposentadoria, surgiu a ideia de um ano sabático voltado para a chamada terceira idade.

Sites de aposentadoria, prestadores de serviços financeiros, de viagens e de seguros estão cheios de conselhos para quem tem mais de 60, seja oferecendo ajuda para gerenciar gastos ou para identificar as melhores opções de destinos.

É difícil quantificar o quão popular é o chamado ano sabático da terceira idade globalmente – mas certamente há muito dinheiro a ser feito.

O grupo de pesquisa Mintel estimou o tamanho da indústria mundial desses sabáticos em 5 bilhões de libras (equivalente a US$ 6,6 bilhões ou R$ 24,3 bilhões, em valores atuais) em 2005 e previu que atingiria 11 bilhões de libras em 2010.

Desde então, os números não passaram por uma atualização e isso acontece em parte, diz Will Jones, editor-chefe da filial britânica do site Gapyear.com, por causa das amplas interpretações do conceito de fazer uma 'pausa'.

'O termo 'ano sabático' é usado como uma descrição abrangente para praticamente qualquer tipo de viagem que exceda os limites típicos de férias. E para qualquer tipo de tempo gasto fora daquele da vida cotidiana', diz. 'Isso faz com que a tentativa de determinar o tamanho da indústria seja complicada: um ano sabático significa tantas coisas diferentes para tantas pessoas diferentes e nem sempre envolve passagens de avião.' Dados recentes, no entanto, continuam a mostrar um claro apetite dos mais velhos por viagens mais longas.

Fonte/Matéria completa: UOL

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