Voltar para a 1ª página
Música é boa terapia para qualidade de vida na terceira idade

 

A música pode proporcionar diversos benefícios, como promover a socialização e ajudar na saúde, principalmente dos idosos, que têm recorrido a ela para melhorar a qualidade de vida. Seja ao curtir um som, ao aprender a tocar um instrumento ou ainda participar de coral, tudo é válido. Já aqueles que desejam melhorar algo específico, estão procurando pela musicoterapia.

O uso da música como terapia é uma ciência, de uso do profissional chamado musicoterapeuta. A musicoterapia utiliza o som como recurso para auxiliar em alguma dificuldade apresentada por quem procura essa forma de tratamento. Pode servir para várias questões, entre elas estimulação motora e também da fala e articulação, ativação da memória e reorganização rítmica e emocional.

De acordo com a musicoterapeuta Suzana Brunhara, os efeitos fisiológicos da música são muitos, como mudanças no metabolismo, liberação de adrenalina, aceleração da frequência respiratória ou sua regularização, e redução da fadiga.

Suzana afirma que na musicoterapia não existe receita sobre músicas para desestressar, pois é preciso considerar a identidade sonora de cada um. 'Eu não posso dizer que a música de Bach relaxa, pois uma pessoa que não gosta, porque não está dentro da sua identidade sonora esse tipo de música, pode ficar extremamente irritada.'

Muitos já incorporaram a música em sua rotina

Eloiza Helena Domingues, 65 anos, afirma que a música entrou em sua vida logo aos 7 anos, quando iniciou os estudos no piano. Aos 9 anos, foi a vez de aprender acordeon. Mais tarde, teve contato com outros instrumentos e passou a lecionar musicalização. No entanto, o que ela talvez não imaginasse é que anos depois a música também seria um recurso para tratar sua saúde. Eloiza conta que recorreu à musicoterapia por causa da depressão. 'Me faz muito bem, e para mim o resultado é mais rápido do que terapia. Tem muitas coisas que a música vai desbloqueando e vem cliques dos porquês disso ou daquilo', afirma.

Eloiza conta que conheceu a musicoterapia anos antes de iniciar tratamento, quando especializou-se em educação musical, em São Paulo. Foi quando começou a ver resultados da música na área da saúde. 'Achava fantástico tudo o que a gente estudava.' Naquela época, os hospitais não permitiam musicoperapeuta, mas com o tempo os médicos acabaram deixando a equipe atuar, só que apenas com os pacientes em coma. 'Conseguimos fazer muitos resgates incríveis. A música chega onde a palavra não chega.'

Alcides Doná Esquerdo, 69 anos, também afirma que desde pequeno sempre gostou de música. 'Quando tinha 11 anos ganhei um violão do meu pai', lembra. Mas curso mesmo foi fazer pouco tempo antes de se aposentar. Trabalhou na área de produção durante 41 anos e sua dedicação ao serviço e à família não deu espaço para o curso.

Em 2004 passou a ter aulas com o professor José Marcos e dez anos depois, em 2014, se tornou um luthier (que confecciona os instrumentos). A música, conta Alcides, faz muito bem a ele. 'Me proporciona relaxamento físico e conforto espiritual. A gente sempre tem que ter um hobby para descarregar o estresse.'

Ele gosta de música clássica, do violão erudito, instrumental, e também de sertaneja raiz. 'Tem aquelas letras que mexem com a gente.'

Além de distrair a cabeça, Alcides afirma que a música também lhe trouxe mais conhecimento e uma boa massagem no ego. 'É um prazer ver alguém pegando o violão que a gente fez e tocando. Já tem gente que fala que meu trabalho está como de outros luthiers mais antigos', orgulha-se.

O maestro Cadmo Fausto, do Coral Vozes, do grupo da terceira idade da Uniso, afirma saber que a música é terapêutica. 'Não posso falar com propriedade sobre isso mas sei que é benéfico, pela minha experiência de vida', afirma. De acordo com ele, durante anos regendo o coral, tem observado muitas pessoas que chegam murchas, mas por meio dessa ação artística, da valorização da voz, começam a se empolgar. 'Elas passam a vir com muita disposição para os ensaios e acabam mudando. Não é só pela situação artística, mas pelo convívio com outras pessoas. Fazem novas amizades, há troca de experiências o tempo todo e ainda realizam festas de tudo quanto é lado.'

Ida Gianolla Miranda, 84 anos, é uma das participantes do coral e conta que está no grupo há 20 anos. Fazer parte de uma atividade envolvendo o canto e poder soltar a voz é, para ela, muito benéfico. 'Tenho uma colega que fala que a gente não precisa pagar terapia. Além disso, o maestro é formidável e anima demais a gente.'

Ela afirma que é professora aposentada, lecionava história e geografia, e sempre foi acostumada a sair de casa. 'Então na aposentadoria eu não poderia ficar parada. Cantar é ótimo e renova o ânimo.'

Fonte: Jornal Cruzeiro

Dedo de Prosa Produções
Rua Riachuelo, 1452 - Sala 205
Bairro Padre Eustáquio
30720-060 - Belo Horizonte/MG



Telefone: (31) 3413-7507
dedodeprosa.tv@uol.com.br
@dedodeprosatv
facebook.com/programa.dedodeprosa