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Idosos provam que envelhecer não é sinônimo de doença

 

Doenças como osteoporose e catarata, além de quedas são frequentemente associadas à chegada da velhice. Entretanto, diferentemente do que se imagina, adoecer não deve ser considerado algo natural nessa fase da vida. Pelo contrário. Cada vez mais existe a possibilidade de viver a terceira idade com a saúde plena. A expectativa de vida dos brasileiros está em 75,5 anos, conforme o último levantamento – feito em 2015 –, e, segundo o professor da pós-graduação em geriatria da Faculdade Ipemed de Ciências Médicas Leonardo Lopes, o idoso deve saber que ele pode apresentar alguma enfermidade, mas que, se ela for adequadamente diagnosticada e tratada, não vai comprometer a sua qualidade de vida.

A associação entre velhice e doença, segundo Lopes, não é de causa. O que acontece, muitas vezes, é que a pessoa tem um problema durante 30 anos, não procura tratamento e lá na frente irá colher as consequências. “O que levou à doença não foi o fato de ela estar velha, mas não ter procurado cuidar-se precocemente”, afirma.

Wânia Lúcia Abreu, 60, se aposentou por invalidez devido ao problema na coluna causado pelo esforço feito durante os 25 anos de trabalho como digitadora. Na época, ela conta que ficou chateada, pois nunca se sentiu “inválida”, e, por isso, logo tratou de se mexer. Hoje, ela participa de dois grupos de terceira idade, faz ginástica, hidroginástica, dança e teatro.

“Eu gosto de movimento, não gosto ficar parada, não sou de ficar em casa. Eu nunca pensei que a idade fosse empecilho para mim. Ainda não me sinto velha, sei que tenho rugas e já não tenho mais aquele corpinho de 20 anos, mas o espírito é jovem”, diz Wânia.

O aposentado Jorge Moreira, 63, conta que, quando passou a entender que envelhecer também poderia ser sinônimo de disposição, viu sua saúde dar uma guinada. “Sou ex-jogador de futebol, mas estava preguiçoso e acomodado dentro de casa. Depois que comecei as atividades, há dois anos, a pressão (arterial) voltou ao normal, e reduzi a quantidade de medicamentos. Os exercícios têm-me dado muito prazer, me tiraram daquela zona de conforto”, revela.

Os dois aposentados fazem parte dos mais de 300 alunos que participam do projeto Educação Física para a Terceira Idade, realizado na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). “Praticar exercícios físicos ajuda no (bom) processo de envelhecimento”, afirma o coordenador pedagógico do projeto, Vinicius Gomes de Freitas.

Segundo o professor, os idosos não devem fazer apenas exercícios de baixo impacto, como pilates e hidroginástica. “Estudos mostram que o impacto é interessante para aumentar a produção de cálcio nos ossos e prevenir a osteoporose”, diz.

Os benefícios da atividade física para o envelhecimento são diversos. “Passam pela socialização, estimulam a memória, melhoram a capacidade cardiorrespiratória, diminuem a incidência de quedas e fortalecem a musculatura”, enumera Freitas. Lopes orienta que as pessoas que já tenham algum problema congênito comecem a realizar os check-ups aos 40 anos e não esperem chegar aos 60 para adotar práticas que proporcionem um envelhecimento saudável.

FLASH
Fórmula. Existem estratégias que são praticamente uma fórmula para o envelhecimento com saúde e harmonia. O professor Leonardo Lopes garante que, se a pessoa cultivar bons hábitos, como “praticar atividade física, ter boa alimentação, se manter fisicamente ativo, e ter boas relações sexuais”, vai ter um envelhecimento sadio.

GRUPOS DE TERCEIRA IDADE EM BH

Projeto Educação Física para a Terceira Idade: Aulas de hidroginástica, dança de salão, ginástica coletiva e informática, três vezes na semana, para pessoas a partir de 45 anos. Local: prédio de Educação Física na UFMG, unidade Pampulha. Valor: R$ 70 por semestre. Tel: (31) 3409-7440 e 3409-2314.

Núcleo de Estudos Escola da Terceira Idade – FUMEC: Curso para terceira idade com exercícios físicos, atividades lúdicas, oficinas e aulas expositivas, a partir de 55 anos. Valor: 4x R$ 180 para aulas três vezes na semana.

Clube da Amizade: Aulas de ginástica, pilates, ioga, dança, informática, idiomas, música e pintura. Valores: de R$ 50 a R$ 95, e alguns são gratuitos. Tel: (31) 3273-8590

Grupo Reviver: Encontros aos domingos, no bairro Betânia. Valor: R$ 20 - Tel: (31) 3383-5660

 

Fonte: O Tempo

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