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Projeto em museu de SP estimula memórias de idosos com Alzheimer

 

Desde 2009, a vida da gerente de produtos de moda Cris Schaeffer, 52, mudou quase radicalmente. Mais precisamente, foi ali que a mãe, dona Elvira, de 92, foi diagnosticada com Alzheimer. Filha única, coube - e cabe - a Cris, a tarefa de buscar atividades terapêuticas e alternativas de ocupação para a mãe. De tanto circular por São Paulo, Cris descobriu o 'Faça Memórias', projeto criado no Museu Brasileiro de Escultura para estimular o desenvolvimento cognitivo de idosos com Alzheimer. Trata-se de uma intervenção não medicamentosa que está garantindo mais qualidade de vida aos frequentadores.

Quem já apreciou um Monet ou um Van Gogh nunca perde o senso estético, nem mesmo diante da demência, apostam as arteterapeutas Cristiane Pomeranz e Juliana Naso, que criaram, há sete anos, o 'Faça Memórias', cuja proposta é garantir o diálogo entre obras de arte e as memórias preservadas dos idosos. As atividades têm como foco estimular memória, cognição e expressividade. Como eles anunciam, a arte é usada como instrumento terapêutico.

'Ao olhar uma obra de arte, o idoso percebe o sentido estético da arte, gosta ou não gosta, aquilo o agrada ou desagrada. Como estamos lidando com uma doença que tira a atenção de uma pessoa, a resposta que obtivemos até agora é uma melhora significativa na qualidade de vida dos nossos alunos. A beleza do projeto é tirar o foco da doença e olhar para o sujeito, independentemente da patologia. Reforçamos que ali existe um sujeito com uma história, uma vivência, e isso é o que importa', explica Pomeranz.

As turmas são pequenas, com apenas oito idosos por vez. Em sete anos, o projeto envolveu cerca de 100 alunos. Dona Elvira, de início, relutou. Chegou a anunciar para a filha, logo após a primeira aula, que àquele espaço não iria novamente. Por sorte, a senhora cheia de vontade, para quem qualquer cuidadora tem a mesma cara e o mesmo nome, mudou de ideia. E é assídua há quase três anos. 'As coordenadoras conseguem criar um vínculo, que é a maior dificuldade do paciente de Alzheimer. Se você não se lembra o que aconteceu cinco minutos atrás, você não consegue criar vínculo. O mérito do projeto é que elas têm uma maneira toda especial de dar valor a cada um, mesmo lidando com o grupo', diz Cris Shaeffer.

O 'Faça Memórias' é dividido em dois momentos: o fazer artístico, cujas aulas ocorrem no atelier, e a visitação às exposições de arte. O que os idosos produzem, eventualmente, também pode fazer parte das exposições. 'Muitos filhos optam por trazer o idoso para que ele exista como ser social e porque entendem que a arte dá leveza e deixa a doença mais branda. Idosos muitas vezes agressivos em casa ficam super tranquilos aqui', avalia Pomeranz.

O projeto vai bem, mas a abrangência é restrita. Cristiane e Juliana precisam convencer o público o valor que as atividades propostas têm. 'Muita gente diz 'ah, para quê?, se ele vai esquecer tudo?' A compensação vem quando uma filha afirma 'eu sei que amanhã a minha mãe não vai lembrar o que houve aqui', mas vai valer a pena. A gente precisa aprender a valorizar aquele momento, não olhar com o olhar da patologia. Mesmo com demência, o idoso tem uma história e pode ser protagonista, ainda que seja por um único momento', afirmam elas.

SERVIÇO:
Mube - Museu Brasileiro da Escultura
Rua Alemanha, 221, Jardim Europa, São Paulo
O curso ocorre às sextas-feiras
O telefone para agendamento de aula experimental é 11 25942601

Fonte: O Globo

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