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Inflação pesa mais para idosos do que para o resto da população

 

Nesta quarta-feira (14), o Jornal Nacional mostrou como a inflação tem doído mais no bolso dos brasileiros que fazem refeições fora de casa, mas não são só eles os mais prejudicados pela subida acelerada de preços.

Se o mundo já deu muitas voltas, e você deu um jeito de ficar de pé em cima dele, você merece um desconto. A aposentada Cleusa Mucke tem 74 anos, mais de 27 mil giros de Terra na conta e o que ela está tendo é o contrário de desconto. É em casa que está o problema e é difícil de fugir. A equipe do Jornal Nacional foi até a casa de Cleusa investigar se o que os economistas estão dizendo é verdade: que a inflação bate na porta de todo mundo, mas os índices são maiores na casa das pessoas idosas.

Cleusa mora com a irmã, Edinha, que tem 75 anos. Elas dividem todas as contas com as duas aposentadorias. “É uma época difícil, realmente não é só pra nós, para todos, e a gente sentiu muito”, aponta Cleusa.

O que ela sente está expresso nos números. A Fundação Getúlio Vargas mede o impacto da inflação no orçamento dos idosos. E olha os números do último ano. Em primeiro lugar, a conta de luz aumentou 53%. “O ar-condicionado a gente tirou. Colocamos só ventilador de teto. Eliminei de passar roupa, só o estritamente necessário. E a luz a gente procura sempre desligar”, conta Cleusa.

A conta de água aumentou 14%. “No banho, é o seguinte: a gente entra, toma ducha, ensaboa, passa xampu no cabelo... Desliga, e depois liga de novo o chuveiro só pra dar aquela chuveirada pra tirar e pronto”, diz Cleusa.

O serviço de diarista subiu 11%. “Minha diarista vinha com mais frequência. Agora já passou a vir a cada 15 dias. Às vezes, até uma vez por mês”, aponta Cleusa.

Esses aumentos são iguais para todo mundo, só que eles ganham um peso diferente no orçamento dos idosos. “Atualmente, despesas importantes pro idoso, como energia, ou mesmo medicamento, serviços médicos, avançaram, em média, mais do que a inflação. Então ele acaba tendo a sensação, e isso é comprovado pelo índice, que ele está vivendo um processo inflacionário mais intenso”, explica o economista da FGV André Braz.

Remédios, por exemplo, aumentaram 7%. E os remédios pra osteoporose, especificamente, aumentaram 11%. O resultado: a inflação geral nos últimos 12 meses foi de 9,65%. Para os idosos, está na casa dos dois dígitos: 10,21%.

Quem diria que um número poderia se transformar em saudade. Faz tempo que a Cleusa não vê filha e netos, que moram na região serrana do Rio. “Já tem dois meses que não vou a araras. É muito triste, mas fazer o quê? Eu queria curtir os netos, principalmente o pequeno, senão, daqui a pouco, eu chego lá e não sabe quem é a avó”, lamenta.

Para driblar a saudade, um banho de sol. E que o desconto venha em saúde para aguentar todas essas voltas que o mundo dá.

Fonte: G1

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