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Vida e aventuras de dois idosos

 

Muito bem curioso, um repórter procurava novidades, bem atento, rodando pela praia. Teve sorte. Espichados na areia, dois velhinhos cochilavam esquecidos. Aproximou-se. Com muito respeito, pediu: “Estou fazendo uma reportagem para uma revista da cidade sobre idosos e alimentação. Sem faltar ao respeito, eu poderia fazer-lhes algumas perguntas?”

Pedido aceito, depois de alguns rodeios e elogios, o ávido repórter começou pelo mais próximo dele: “Quais são os alimentos que o colocam em tão bela forma?” Sem demora, com entusiasmo, ele começou a falar: “Na juventude, li muitas coisas de ‘como conservar a saúde física e mental’. Tenho 92 anos de idade e nada a queixar sobre velhice. O meu forte é pela manhã. É a chave mestra. Não dispenso o liquidificador. Lá dentro coloco uma colher de aveia, uma de soja, uma de linhaça, uma de gergelim, uma de quinoa, castanha-do-pará, uma noz, maçã, banana, leite e mel. Aquela mistura bem batida é o início do dia. Nada de pão francês, muito menos margarina. Duas horas antes do almoço, tomo um copo de suco natural de laranja ou limão, sem gelo e com um pouco de açúcar. No almoço, bastante verdura: brócolis, alface, beterraba, cenoura, batata, couve, tomate (ou outras para variar). Tudo com azeite e um mínimo de sal ou nenhum. Não tomo nenhum tipo de refrigerante artificial nem dos ‘saborosos’ sucos comprados nos supermercados. Os ‘deliciosos’ sabores são químicos. Durante as refeições tomo água natural. Gelada, nunca. Carne vermelha, o mínimo. Prefiro peixe ou frango. Como sobremesa, um doce feito em casa. Termino com uma xícara de café. O principal é isso aí. Talvez esteja aí a razão de meus 92 anos”.

O repórter, então, voltou-se para o segundo velhinho e perguntou: “E o senhor aí, como é seu tipo de alimentação?” (Deve ter uns 80 anos, pensou). O segundo idoso sorriu, encostou seus trinta quilos de barriga na areia, piscou um olho de sabido, olhando pro céu, olhou para o repórter com a cara mais feliz do mundo, e, então, expôs seu programa alimentar: “Não levo uma vida de monge. Não estrago minha vida com palpite de médicos. Como de tudo que me agrada. Não tem sentido desprezar o que é gostoso em favor do que é chamado de alimento sadio. Como todos os dias meu arroz branco com um bife de carne vermelha, bem sangrento e com muito sal. Não dispenso uma batatinha frita nem um torresmo ao ponto. Não recuso os refrigerantes nem os sucos, muito menos aqueles vendidos nos supermercados, aqueles que têm sabor de vinho são os meus preferidos. Adoro chocolate. Como muito, todos os dias, principalmente o branco. Não dispenso três latinhas de cerveja bem geladinha, à tarde. É uma suavidade. Renova o espírito. Fumo um maço de cigarros por dia. Essa conversa de comida sadia é bobagem. A gente deve comer do que gosta e não do que eles mandam. Vivo bem, tenho uma dorzinha no estômago, mas é de família”.

O repórter, de olhos arregalados, tentou mais uma pergunta: “Afinal de contas, com esse tipo tão ‘saudável’ de alimentação, o senhor tem quantos anos?” O interrogado encostou seus trinta quilos de barriga na areia da praia, sorriu com desdém, um sorriso morto no canto da boca e falou: “Já vivi muito. Daqui a dois meses vou completar 37 anos...”

Fonte: JM Online

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