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Melhor que fisioterapia!

 

Pela experiência que os idosos têm em participar de festas de São João, ao longo do tempo, podemos dizer que eles fazem um arrasta-pé como ninguém. No Recife, um baile realizado na Associação Atlética do Banco do Brasil (AABB), na Zona Norte da cidade, nesta terça-feira (16), teve direito a casamento, noiva, rainha do milho, quadrilha e, claro, muito forró. Os participantes, a maioria mulheres, são unidos pela paixão pela dança e contratam até dançarinos profissionais para acompanharem o passo. É 'Melhor que fisioterapia', diz idosa participante da festa.

A mais velha do grupo, Nilda Carvalho, com 90 anos, era também uma das mais animadas. Quando vivo, o marido não a levava para dançar, mas desde a juventude a ex-costureira é apaixonada por música. Ao chegar à melhor idade, Nilda passou a participar de grupos de teatro e também a ser referência em dança de salão entre os mais velhos. 'Eu amo qualquer coisa que eles colocarem, tango, bolero, forró. Minha paixão é dançar', contou. Nilda tem 1,42 m e se autointitula, num humor permanente, de 'tamborete de forró', em referência à música de Santanna.

Assim como Nilda, a maioria das idosas contrata dançarinos profissionais, já que muitas são viúvas ou têm maridos que não gostam de dançar. Adilson Sena é personal trainer e há 5 anos trabalha também como dançarino nos bailes da melhor idade. Em média, o preço cobrado pelos profissionais é R$ 150 por 4 horas de farra, dividido entre a quantidade de clientes em uma noite. 'A gente tem que ter um preparo físico enorme, porque elas não querem parar nem por um minuto', disse. Normalmente, cada cliente dança por duas músicas, para não dar briga no salão. 'Ele dá vencimento, não', brincou Maria José Tavares, uma delas.

Mas casal que dança unido também permanece unido. Maria de Nazaré Batista e José Batista são casados há 61 anos e só dançam juntos, desde jovens. Relembrando bailes antigos em clubes tradicionais do Recife, eles não saem do salão e não topam dançar com outros parceiros. 'A gente está sempre fazendo o que gosta, juntos', disse José. 'É melhor que fisioterapia para o corpo. Além de ser bom pra alma também', completou dona Nazaré.

Não seria por conta da idade que os idoso deixariam de investir no figurino. Pelo contrário: matutos e matutas vestiram os trajes quadriculados, chapéus de couro e fizeram maquiagem com direito a trança e pintinhas no rosto. A festa é organizada pelo Clube Rejuvenescer, que todo mês realiza alguma atividade, sempre focada na dança.

A presidente do Clube, Luzinete Castro, 68 anos, se vestiu de cangaceira e incorporou a personagem. Ela organiza festas há 5 anos, quando o marido morreu e começou a poder participar desses eventos. 'É a alegria da minha vida, uma liberdade poder proporcionar isso tudo. Eu não gosto de dançar, eu sou a própria dança, porque estou em tudo', disse. As festas aproveitam mutas alunas de escolas de dança de salão, que resolvem organizar os eventos mensais.

Na festa desta terça, a cangaceira Luzinete virou a mãe da noiva da quadrilha junina, função que ficou com Eliane Rodrigues, 68 anos. Ela aproveitou a ocasião para trocar alianças com o namorado, Nivaldo Alves, de 69. Na 'vida real', os dois também vivem uma relação. Amigos de longa data, resolveram iniciar um novo relacionamento, há 10 anos, após ambos ficarem viúvos. 'A gente tem que ir treinando aqui no São João para ver se vai dar certo, vamos testando com quem a gente pode', contou Eliane.

E com a dança, os idoso transformam o tempo livre em distração e atividade boa para a saúde e para o corpo. Juvenil Egito, 80 anos, usa piercing, fez tatuagem há menos de cinco anos e e impressiona pela juventude. 'O segredo é a dança, sem dúvidas', disse. Juvenil, que já é até bisavó, dança só, junto ou do jeito que a festa pedir.

Fonte: G1

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