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Idosas lotam salas de aula para se conectar

 

A dentista Maria Isabel Dias Galbiati, 62 anos, já tem um smartphone, mas acredita que ainda pode aprender muito mais sobre as novas tecnologias. Por isso, ela participou do projeto Café com Android, promovido por uma operadora de telefonia móvel, na semana passada.

Na oficina, Maria Isabel descobriu o “quick selfie” – recurso que reconhece o abrir e fechar da mão do usuário em frente à câmera e bate a foto sem a necessidade de a pessoa clicar em qualquer botão – e ficou fascinada. “Adorei. Quando saio, fico direto no celular. O tempo passa mais rápido”, observa.

A dentista ganhou o smartphone do filho há cerca de 3 anos e, desde então, viciou no aparelho. Ela tem WhatsApp, Facebook, e-mail e ouve músicas pelo celular. “Meu filho me ensinou a mexer e agora eu vou fuçando. Se surge alguma dúvida, pego o manual”, conta.

A dona de casa Joana D’Arc Oliveira Dias, 70 anos, também não vive sem seu smartphone. “Vejo receitas, participo de grupos de crochê e tricô no Facebook e converso com as amigas e parentes pelo WhatsApp”, relata.

O desejo de aprender é tanto que a costureira Maria Guidoni, 64 anos, pretende fazer um curso de informática para iniciantes e, depois, comprar um smartphone para ler notícias na internet e conversar com as amigas e os familiares. “Não há nada que a gente não possa aprender, mas os mais novos não têm muita paciência”, ressalta.

Já a aposentada Marlene Krunas, 71 anos, teme as consequências do uso desenfreado dos celulares. “Vejo minhas sobrinhas no mesmo cômodo se comunicando pelo celular. Daqui a pouco ninguém mais vai falar”, comenta.

Fundamental

Segundo a professora da USP (Universidade de São Paulo) Carla Santana, coordenadora do PIDI (Projeto de Inclusão Digital de Idosos), o contato dos mais velhos com as tecnologias é fundamental para o idoso não ficar à margem da sociedade. “Temos um número muito grande de equipamentos eletrônicos no nosso dia a dia. O caixa eletrônico é um deles. Aprendendo a lidar com a tecnologia, o idoso ganha mais autonomia”, salienta.

Ainda segundo Carla, quando o idoso aprende a usar os smartphones, computadores e tablets, eles deixam de ser complicadores. “Existe um aplicativo, por exemplo, que avisa os horários em que os idosos têm que tomar seus remédios. Eles só precisam entender como os comandos funcionam”, afirma.

Para facilitar o aprendizado, a professora recomenda deixar na tela principal somente os ícones mais utilizados. “Outra dica é aumentar o tamanho da fonte e repetir o mesmo processo várias vezes.”

‘As pessoas são capazes de aprender tudo’

A aposentada Marli Teresinha Urbano Carignani, 73 anos, não se conforma com a facilidade com que a sua neta de 4 anos manuseia um smartphone.

“As crianças são muito desembaraçadas e observadoras. Elas veem os pais mexendo nos celulares e aprendem rapidamente”, comenta.

Embora não seja muito afeita ao universo digital, a aposentada reconhece que as tecnologias têm lá suas vantagens e por isso decidiu participar da oficina digital para descobrir o que ainda não conhece.

“A gente precisa se distrair, é bom para ver receitas, trabalhos de crochê e artesanatos. Além disso, podemos buscar programas que já passaram na televisão”, cita.

A idosa também admite que gosta de conversar com a filha por meio de chamadas com vídeo. “Ver pela câmera é bom, porque você vê realmente como a pessoa está. Por telefone, dá para disfarçar”, destaca.

O progresso assusta um pouco, mas nem por isso Marli deixa de tentar. “Sou da época em que a gente tinha que ligar para o telefonista para ele completar a ligação. Está tudo muito rápido, em um piscar de olhos as coisas acontecem. Mas é questão de ir atrás, aprender. As pessoas são capazes de tudo, desde que se proponham a fazer”, afirma.

Marli diz que só não entender muito bem por que as pessoas são tão dependentes desses “aparelhinhos”.

Fonte: A Cidade

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