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Idosos dançam hip hop para manter o equilíbrio e a autoestima

 

Idosos de Itanhaém, no litoral de São Paulo, aderiram à dança de rua para se divertirem e, ao mesmo tempo, conseguiram melhorar a coordenação motora, o equilíbrio e a autoestima. Em dois meses, eles aprenderam uma coreografia, participaram de uma competição e conquistaram um título. Além de criar laços de amizades, eles descobriram uma nova forma de dançar e curtir a vida, ao som do hip hop.

O instrutor cultural de dança de rua Fernando Ferreira Curcio trabalha há 10 anos na área, mas nunca tinha lidado com idosos. A turma do Conviver precisava de um professor para preparar uma coreografia para os Jogos Regionais do Idoso (JORI) e ele aceitou o desafio. “Para mim foi algo novo e para eles também”, afirma.

O professor teve que adaptar os movimentos de acordo com as limitações dos idosos e precisou ter paciência para ensinar uma turma um ritmo bem diferente do que eles estão acostumados. “Eu tive dois meses para fazer com que eles conseguissem dançar a dança de rua. Tive que tirar o bloqueio da mente deles de que era algo difícil. Tem as manobras. Eles achavam que fariam, pela idade não dá para fazer isso”, explica Curcio. O grupo também montou um figurino bem ao estilo do hip hop para a apresentação 'Os opostos se atraem', no JORI, e fizeram sucesso. Eles conseguiram a melhor colocação entre os grupos que apresentaram a dança de rua.

Maria Rosa Ribeiro, de 76 anos, sentiu dificuldade nas primeiras aulas. Ela conta que errava os passos, tropeçava, mas, conseguiu vencer esse desafio pessoal. “Eu fazia aqui e treinava em casa um pouco. Para mim, é um show a parte. É uma experiência inusitada. Nunca imaginei que um dia faria dança de rua. Fazemos outras danças, mas essa foi renovação total”, diz ela.

Marilei Gomes, de 67 anos, confessa que, no início, ficou preocupada. “Pensamos que ia ser aquelas piruetas com a cabeça no chão. Ele deu uma bo adaptada para a nossa idade. O professor Fernando é bárbaro”, comenta. Ela faz o possível para acompanhar os colegas no ritmo e está adorando as aulas. “Eu anoto tudo e, em casa, eu ensaio bastante”, diz.

Já a aposentada Regina da Costa tinha o sonho de ser dançarina quando jovem. Aos 60 anos, ela resgatou o desejo de se apresentar em um palco por meio da dança de rua. “Eu já era feliz, agora sou muito mais. Adoro dançar, é uma paixão sem precedentes. O Conviver é maravilhoso, estar aqui é uma benção. É estar de bem com a vida, estar feliz”, falou.

Osvaldo Francetto, de 72 anos, é o único homem da turma. Quando se inscreveu, imaginava que teriam outros homens interessados. Na coreografia, ele tem o papel principal e é disputado entre as ‘gangues das meninas’. Não teve como largar a dança de rua. “Fiquei só eu de homem. Eu já chamei os amigos, mas ninguém quis. Acho que é acanhamento deles. Eu sou atiradão”, brinca. Separado há dois anos da mulher, ele também buscou elevar a sua autoestima por meio das atividades do local. “Estava meio amuado e triste. Comecei a dança de rua, ainda mais eu sozinho no meio da mulherada, e a tristeza foi embora. Foi bom pra mim”, comenta. Francetto acabou arranjando uma nova namorada no Conviver.

O professor percebe a evolução da turma aos poucos. “No ano passado, eu não podia passar movimentos que tem braço e perna ao mesmo tempo. Esse ano, já estou conseguindo trabalhar isso”, diz. Não só a parte da dança, mas a parte espiritual. Ele fala que os idosos ficam tristes quando não há aula. Já durante os encontros, a alegria se dissipa e atrai outros interessados em aprender um novo ritmo, que faz bem para o corpo e para a mente. “Começamos com 16 alunos, 15 meninas e 1 menino. Hoje é uma das aulas mais lotadas que temos aqui, com cerca de 45 alunos. A gente faz uma peneira, selecionamos os melhores para ir para as competições. A próxima competição é em Mongaguá. A expectativa é grande para conseguir uma premiação”, finaliza o professor.

Fonte: G1

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