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Nova geração da terceira idade descobre os clubes gourmet

 

Há 15 anos, Milton Pereira Adriano foi ao médico em busca de uma solução para os problemas que estava vivendo. Estressado, Milton achava que estava doente, mas o médico recomendou um remédio diferente:

– Ele me mandou procurar uma atividade. Naquela época eu só pensava em trabalho e na família e aumentava o tamanho dos problemas.

Milton achou que era um sinal quando naquele dia abriu o jornal e viu o anúncio de um clube gourmet para homens. Sem pensar duas vezes, matriculou-se na atividade para novatos e, em poucos dias, estava envolvido com desossa de aves, corte de carnes, espinhos de peixes e diferentes formas de cozinhar arroz.

Hoje, aos 62 anos, Milton coordena a turma dos cursos avançados e é um dos participantes da Confraria União Cooks, de Porto Alegre. Foi o remédio perfeito para a “doença” do corretor de seguros.

A falta de atividades é uma das principais preocupações sobre os homens na terceira idade. A maioria tende a se isolar ao longo dos anos. Uma pesquisa da Universidade Federal Fluminense, feita com pessoas que já passaram dos 60 anos, apontou que 83% deles concorda que viver sozinho diminui a qualidade de vida e 55% afirmaram que a aposentadoria é um fator para isolamento social. Milton ainda não tinha intenção de parar de trabalhar, mas tinha reduzido suas atividades.

– O tempo traz mudanças nos papéis sociais. No caso dos homens, a terceira idade pode ser um sinal de perda do papel produtivo e de cuidador da família. Por uma questão cultural, poucos procuram outras atividades que não sejam ligadas ao trabalho e à família e isso os torna mais propensos à depressão – comenta a professora de Educação Física da UFRGS, Andrea Gonçalves, especialista em idosos.

Milton reencontrou a cozinha. Quando criança, cozinhava junto com a mãe. O preconceito fez com que na juventude ele deixasse esse prazer de lado. Quando encontrou a confraria gourmet pode voltar a fazer uma das coisas que mais o faz feliz: preparar comidas para as pessoas.

– A comida emociona, traz sensações e isso me fascina. Acontece, muitas vezes, de eu preparar um jantar e esquecer de comer porque fico observando a reação das pessoas.

A nova geração da terceira idade está descobrindo prazer em atividades que remoraram a um tempo antigo ou novas descobertas. O corretor de seguros sabia o básico, mas começou com o curso para novatos e foi desenvolvendo as práticas com outras classes. Hoje, é convidado para preparar um jantar completo em grandes eventos sociais. Uma vez por mês, os homens da confraria se reúnem para preparar pratos especiais, testar novos ingredientes e conversar. Os encontros não ficam reduzidos ao clube.

– Estamos sempre nos reunindo para comemorar o aniversário de um dos membros ou de nossos familiares ou, simplesmente, pelo prazer de preparar algo para as pessoas.

Para Gonçalves, o novo papel social e ter um objetivo são os benefícios desses grupos de sociabilidade.

– Não é apenas a atividade, os homens descobrem múltiplos interesses e habilidades – explica.

A vida de Milton mudou completamente. Depois da alegria do reencontro com a cozinha, viu que era capaz de mudar o clima no trabalho, passou a fazer caminhadas e a nadar. Tudo para cuidar mais da própria saúde.

– Conhecer gente e fazer amizades transformou minha vida. A confraria me permite brincar, trocar ideias, ter novas relações de confiança. Eu passei a ser uma pessoa melhor com a minha família e comigo mesmo.

Quem via o corretor de seguros há 15 anos, quase não acredita que ele já cozinhou com grandes chefs brasileiros e até participa de avaliações em cursos de gastronomia. O envelhecimento até foi um desafio para Milton, mas aquele remédio indicado pelo clínico há 15 anos foi determinante para salvar sua vida.

Fonte: ClickRbs

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