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Degeneração macular na terceira idade pode causar cegueira

 

A expectativa de vida no Brasil vem aumentando gradativamente e, com o avanço da idade, os cuidados com a saúde não podem ser negligenciados. Segundo o último Censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE) no país, a população de 60 a 69 anos já ultrapassa 11 milhões deindivíduos. Quando o assunto são doenças relacionadas à idade, muito se ouve falar sobre câncer de próstata, osteoporose, mal de Alzheimer, entre outras. Todas bastante conhecidas, no entanto, o que muita gente não sabe é que, a partir dos 55 anos, os riscos de perda da visão são cada vez maiores.

Quando se fala em saúde ocular na terceira idade, a doença mais comum, responsável por perda da visão irreversível, porém muito pouco conhecida é a degeneração macular relacionada à idade (DMRI). A enfermidade atinge entre 25 e 30 milhões de pessoas em todo o mundo de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS). A DMRI é uma doença degenerativa da área central da retina, conhecida como mácula, que acarreta em perda progressiva da visão central, que é aquela responsável pelo foco e nitidez de tudo que enxergamos. A prevalência de cegueira é de 8,7% entre as pessoas acometidas pela doença. No Brasil, o cenário é preocupante, pois cerca de 80% dos brasileiros nunca ouviu falar sobre o problema, releva pesquisa realizada pela Sociedade Brasileira de Retina e Vítreo (SBRV).

Para o oftalmologista Dr. Walter Takahashi, Professor e chefe do Serviço de Retina e Vítreo do Departamento de Oftalmologia da Universidade de São Paulo, a doença tem tratamento e é possível conviver com ela, se diagnosticada precocemente. “A recomendação é que os indivíduos a partir dos 55 anos visitem o oftalmologista para fazer um check up completo da visão. Quanto antes for realizado o diagnóstico, mais cedo se inicia o tratamento, possibilitando uma rotina sem contratempos”, ressalta o médico.
O Dr. Takahashi alerta ainda que, por afetar a perda de visão central, a doença impacta diretamente o dia-dia das pessoas impedindo-as de ler, escrever, reconhecer rostos, dirigir e, consequentemente, há um aumento de maneira considerável do número de quedas e depressão. Tudo isso influencia diretamente a qualidade de vida dos pacientes.

Com o aumento da longevidade, alguns especialistas estimam que o número de casos de DMRI poderá triplicar até 2025. Esse cenário se deve ao fato da doença estar relacionada diretamente ao envelhecimento da população. Além do indicador associado à idade, outros fatores de risco são levados em consideração, como: pessoas de pele e olhos claros, tabagismo, alimentação rica em gordura e exposição solar em excesso.

DMRI: mais comum do que se imagina

Ela não é popular para o público em geral, mas para os médicos a DMRI é uma patologia comum e cada vez mais constante nos consultórios. Existem dois tipos de DMRI, a seca ou atrófica é a forma mais comum e mais leve da doença. Neste caso, drusas (depósitos originados do metabolismo celular) localizadas na região macular levam a uma atrofia da região, culminando com a perda da visão. Este processo ocorre pelo envelhecimento celular e sua evolução é mais lenta.

Já a forma úmida ou exsudativa é mais grave por se desenvolver rapidamente. Nela, novos vasos sanguíneos que se formam sob a retina, em uma região chamada de coroide, crescem penetrando a retina e destruindo a arquitetura da região macular. Além disto, estes novos vasos se rompem facilmente, promovendo assim a liberação de sangue e fluidos, tóxicos às células da retina. O resultado é a perda rápida e irreversível da visão, caso o tratamento não seja instituído precocemente. Dados da SBRV apontam que a DMRI atinge 10% da população acima de 65 anos de idade. Destes, embora apenas 10% desenvolvem a forma úmida ou exsudativa, eles são responsáveis por quase 90% dos casos de cegueira relacionados à DMRI. O surgimento da doença está ligado a aspectos genéticos, metabolismo e fatores ambientais.

Tratamento

Atualmente não há nenhum tratamento cientificamente comprovado para a forma seca da DMRI. Complexos vitamínicos específicos podem ser empregados em alguns casos como forma de proteção às células da retina. A DRMI úmida, apesar de sua maior gravidade, tem tratamento e o paciente pode seguir uma vida tranquila. Entre os tratamentos disponíveis está o aflibercepte, um antiangiogênico aplicado através de uma injeção intravítrea e que inibe a formação e o aumento de novos vasos sanguíneos, proporcionando a redução de fluído e sangramentos e desta forma, melhorando a visão do paciente. Vale lembrar que, por ser uma doença degenerativa, não existe cura definitiva e o tratamento deve ser contínuo.

Além do tratamento medicamentoso, uma dieta balanceada é uma forte aliada da saúde ocular em pessoas com DMRI. Para esses casos, vale a adoção de uma alimentação rica em vegetais amarelos, alaranjados, vermelhos e verdes, como: laranja, mamão, pêssego, brócolis, couve-de-bruxelas, repolho, couve-flor, ervilha, milho e rúcula, brócolis dentre outros, além de verduras de folha verde escura, como couve, espinafre e escarola.

Fonte: Alagoas 24 Horas

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