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Bateroterapia faz idosos exercitarem corpo e mente em ritmo musical

 

Com baquetas na mão, um grupo de idosos de Santos, no litoral de São Paulo, exercita corpo e mente em ritmo de música por meio da bateroterapia. O método foi desenvolvido há quatro anos por um músico brasileiro que morou na Califórnia, nos Estados Unidos. Agora, ele resolveu trazer a novidade para a terra natal. Além de estimular braços, pernas e cérebro, o exercício é uma atividade lúdica.

O músico Gus Conde, de 35 anos, teve a ideia de criar a bateroterapia depois de lidar com um idoso, na Califórnia, que tinha dificuldades de tocar bateria. “Percebi que faltava rotatividade do corpo, alongamento dos braços, das pernas”, conta. Ele desenvolveu uma série de exercícios especificamente para o aluno melhorar o desempenho, e deu certo. O músico se uniu a um fisioterapeuta da Universidade de Los Angeles e criou diversos exercícios, não apenas para a terceira idade, mas também para crianças e adultos. Assim surgiu a bateroterapia, um conjunto de movimentos associados à prática de tocar bateria que são transformados em um exercício lúdico.

Os exercícios de percursão aumentam a consciência corporal e o nível de concentração mental dos participantes. 'A gente trabalha muito o cross-thinking, ou pensamento cruzado, usando a parte direita do cérebro, responsável pela imaginação, sonhos, ritmo e criatividade; e o lado esquerdo, responsável pela parte analítica, números, raciocínio. O benefício é muito mais mental do que físico”, diz o músico.

Durante as aulas, os alunos também trabalham foco e ritmo, além do alongamento. As músicas são variadas, assim como os movimentos, que podem ter o grau de dificuldade aumentado, de acordo com a capacidade de cada um. “Tenho alunos que são engenheiros, dentistas, que não têm nada a ver com bateria, mas que se beneficiam do método, por trabalhar também a coordenação mental. Tenho alunos de bateria que fazem a bateroterapia para desenvolver esse lado cognitivo, o que acaba ajudando eles na bateria propriamente dita. Eu consigo fazer bateristas profissionais suarem”, relata.

O músico disponibilizou uma oficina de bateroterapia para idosos no Sesc de Santos. Como não teria como levar os instrumentos, teve que adaptar o método, para que cerca de 50 pessoas pudessem conhecer a novidade. Os idosos receberam as baquetas e uma cadeira plástica, que substituiu os pratos de uma bateria tradicional. A música começou a tocar e Conde mostrou qual seria o ritmo da brincadeira. Aos poucos, todos batiam nas cadeiras em um ambiente descontraído e no embalo da música.

“Eu gostei, achei divertido, agitado. É a primeira vez que venho”, diz Maria Olímpia Rodrigues Amaral, de 67 anos. A mais velha da turma, Antonia Kuntz, de 96 anos, também quis aprender o método. Mesmo sem saber o nome complicado da terapia, exercitou a mente e os braços de uma forma diferente. “Eu gostei muito, estou com 96 anos e já fiz muita coisa. Parece uma bateria. É o moço magrinho que faz, eu gostei dele. Já estou numa idade avançada, mas dá para acompanhar”, brinca.

O técnico de programação do Sesc Santos, Enio Rodrigo, diz que a bateroterapia é uma atividade nova na unidade e tem a última oficina nesta sexta-feira (1º). A intenção é trazer o método outras vezes. “Nesse processo lúdico, eles até se esquecem que estão fazendo exercício, estão brincando. E não precisa necessariamente ter uma bateria. Assim, o custo é bem pequeno e o exercício bem efetivo com essa bateria imaginária”, comenta.

Desde a criação da bateroterapia, Conde diz que já recebeu muitos retornos positivos. “Os responsáveis me falaram que houve uma melhora extremamente notável nos idosos. Passaram a lembrar de coisas, têm conseguido esticar o braço, coisas que são simples para nós”, diz. Além de oferecer o exercício no estúdio dele, em Santos, o músico quer expandir o método mundo afora. “Estou indo em janeiro para os Estados Unidos, para uma feira de música, onde vou fazer um workshop e introduzir a bateroterapia, a princípio, na Califórnia”, conclui.

Fonte: G1

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