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CÚrebro afiado garante o alto-astral do idoso

 

Com a promessa de melhorar o desempenho intelectual e manter o Alzheimer à distância, o curso livre Supera – Ginástica para o Cérebro, que tem uma unidade em Santo André, vem atraindo número crescente de idosos da região. “Como os resultados aparecem rápido, eles se sentem estimulados a continuar o curso”, diz o coordenador da unidade, Marcelo Alciati.

As aulas duram duas horas e são semanais. A mensalidade custa R$ 160, cerca de 20% do salário-mínimo (R$ 678). “Os alunos enxergam isso como um investimento. Quem está em idade escolar acha que o resultado vem no ganho de facilidade para aprender. Os que estão na vida profissional relatam evolução na concentração e no desempenho intelectual, e os idosos dizem que ganham velocidade de raciocínio”, diz Alciati, ex-consultor do escritório do Sebrae no Grande ABC.

O franqueador conta que procura indicar, para cada aluno, a turma que mais se adapta às suas necessidades. “As aulas sempre começam com exercícios de cálculo mental que são feitos com o auxílio do ábaco, um instrumento japonês.”

O método Supera, que tem 105 unidades no Brasil e seis anos de existência, se baseia em premissas científicas e visa melhorar a neuroplasticidade cerebral, que é a capacidade que o cérebro humano tem de se modificar quando um novo aprendizado se consolida. Graças à sua surpreendente capacidade de se reorganizar e formar novas conexões entre as células nervosas (os neurônios), o cérebro pode ficar mais ativo, dependendo dos estímulos que recebe, e que podem vir do ambiente no qual a pessoa vive e das suas ações. Por muito tempo, acreditava-se que, conforme os anos passavam, as conexões entre os neurônios se tornavam fixas, isto é, imutáveis. Pesquisas demonstram, entretanto, que com novos aprendizados o cérebro nunca para de mudar.

Escorados nessa ideia antiga de que o passar dos anos dificulta a aprendizagem, muitos idosos deixam de estimular seus cérebros com novos desafios e, com isso, abrem a porta para a perda da capacidade intelectual e para as doenças que provocam demência, como o temido Alzheimer.

Além disso, é possível que, ao evitar doenças, o idoso deixe gastar tanto com medicamentos. Segundo a Associação dos Aposentados e Pensionistas do Grande ABC, as despesas com remédios comprometem cerca de 30% da renda.

RISCO - Em um artigo, a gestora pedagógica do método Supera em Uberlândia, Simone Vieira de Melo Shimamoto, aponta que a doença de Alzheimer não é causada pelo envelhecimento, mas que se aproveita dele. “Há comprovação científica de que a chance de se ter Alzheimer é maior na terceira idade, intensificando na medida em que os anos vão se passando”, afirma Simone.

Sem cura conhecida, a prevenção ainda é a principal recomendação dos médicos e pode ser feita por meio de um conjunto de atitudes que podem evitar, amenizar os impactos da doença ou mesmo retardar sua evolução e que incluem alimentação saudável, exercício físico e atividade cerebral por meio da estimulação cognitiva. Participar de atividades que promovam a socialização e a melhoria da autoestima é outra recomendação.

MENTE SÃ - “O pior inimigo das pessoas na terceira idade é a depressão”, diz o professor Ricardo Linares, da Faculdade de Educação Física da USP (Universidade de São Paulo), que há 20 anos ministra aulas para cerca de 500 idosos por semestre, com inscrição de R$ 50 ou R$ 100 anuais e sem mensalidade. As inscrições para cursar aulas de ioga, capoeira, ginástica e musculação no ano que vem começam na segunda e vão até quinta-feira.

Segundo Linares, fatores fisiológicos geralmente se constituem em impedimentos menos drásticos do que os psicológicos e financeiros.

Depois de aposentar, a pessoa se sente sem lugar no mundo, tem menos dinheiro, não tem mais rotina e muitas vezes passa a ser superprotegida pelos filhos e acaba ficando encastelada em casa. “Ficar em casa sozinho e parado é a pior opção”, reforça.

De acordo com os dados preliminares de um estudo conduzido por Linhares, em parceria com outras áreas da USP, a prática de esportes mantém o cérebro mais ativo. Quando apresentados aos mesmos questionários, os idosos sedentários levaram três vezes mais tempo para responder às questões dos que os que praticavam atividade física.

As vantagens de manter o corpo e a mente em movimento alimentam o sucesso das faculdades da terceira idade da região. “Tivemos de mudar o esquema do curso porque a turma não queria se formar e perder o estímulo que as aulas e o convívio proporcionam”, diz a professora Marilene Bombana, coordenadora da Fati (Faculdade da Terceira Idade), iniciativa ligada à Fefisa (Faculdades Integradas de Santo André), desde 2002. “Agora, os alunos escolhem os módulos de aulas de acordo com seu interesse, sem ter de jamais deixar a faculdade”, conta Marilene, que vem registrando crescimento de 20%, em média, na procura por inscrições nos últimos anos. Cerca de 90% dos matriculados são mulheres. O investimento nas Fati da região varia entre R$ 25 e R$ 100 e muitas oferecem aulas de dança e ioga também.

Fonte: Diário do Grande ABC

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